Iniciativa de Transição

Num período em que as sociedades estão cada vez mais vulneráveis face às problemáticas energéticas, ambientais, sociais e económicas, é urgente parar para reflectir sobre a forma como vivemos e encontrar soluções que permitam ao ser humano viver de forma mais equilibrada com o meio que o rodeia, garantido o seu sustento.

O Modelo de Transição defende que é localmente que devemos agir para dar resposta a estas problemáticas, criando uma nova visão de futuro e tornando as comunidades mais humanas, sustentáveis e resilientes.

O que é uma Iniciativa de Transição?

É um processo liderado pela comunidade que ajuda a sua localidade (cidade, vila, aldeia, bairro) a tornar-se mais resiliente e feliz.

As Iniciativas de Transição já estão espalhadas por milhares de comunidades do mundo e têm vindo a ganhar cada vez mais força, com o propósito de olhar para o futuro de forma positiva.

Cada uma destas comunidades tomou consciência do que se passa no mundo actual e em vez de continuarem sentados nos seus sofás a contemplarem o que estava errado decidiram levantar-se e fazerem algo construtivo sobre isso, em conjunto com os vizinhos e amigos. Iniciaram os seus projectos na área da alimentação, educação, energia, construção, resíduos, arte, etc, como respostas locais às alterações climáticas globais, dificuldades económicas e diminuição dos recursos energéticos baratos.

Qual a necessidade da transição?

Nos países industrializados criou-se um modo de vida no qual as populações assumem que os nossos elevados níveis de consumo energético, as nossas elevadas emissões de carbono para a atmosfera e o nosso massivo impacto ambiental podem continuar indefinidamente. E, a maioria dos países em desenvolvimento, parecem desejar estes modos de vida também. No entanto, qualquer análise racional sobre os nossos recursos energéticos, as nossas desigualdades económicas, os nossos níveis decrescentes de bem-estar, a nossa crise ecológica e caos climático que já está a atingir milhões de pessoas, nos diz que isso não pode continuar por muito mais tempo.

O Modelo de Transição diz-nos que o melhor local para iniciar a transição deste modo de vida inviável para um modo de vida diferente é onde estamos, com as pessoas que nos rodeiam.

Quer queiramos ou não, nas próximas duas décadas, iremos estar em transição para um futuro de ‘baixa de energia’, principalmente por causa das alterações climáticas e, inevitavelmente, da diminuição do abastecimento de combustíveis fósseis (o petróleo em particular). Reforçando esta tese, no passado dia 8 de Novembro de 2011, o turco Fatih Birol, principal economista da Agência Internacional de Energia disse à comunicação social que “Se não alterarmos agora a forma como usamos a energia, acabaremos para lá daquilo que os cientistas dizem ser o mínimo [de segurança]. A porta fechar-se-á para sempre”.

Existe um vasto número de possibilidades que podem surgir dependendo se continuarmos sentados no sofá e “deixarmos a coisa andar” ou se começarmos a trabalhar para o futuro que nós queremos.

As Iniciativas de Transição, de comunidade a comunidade, estão a criar activamente e cooperativamente comunidades mais justas, resilientes e felizes, espaços que funcionam para as pessoas poderem viver e com a capacidade de lidar e recuperar dos choques que acompanham os desafios energéticos e económicos e as alterações climáticas.

Como nos podemos envolver?

Primeiro é essencial que haja um grupo pequeno de pessoas que tenham uma preocupação comum sobre a diminuição da disponibilidade de energia barata (pico do petróleo), alterações climáticas e cada vez mais, desaceleração económica. Este grupo reconhece que:

  • As alterações climáticas e o pico do petróleo  necessitam de uma acção urgente.
  • A vida com menos energia é inevitável. É melhor ter um plano para isso do que esperar e apanhar uma surpresa.
  • A sociedade industrial perdeu a sua resiliência para estar preparada para lidar com os choques energéticos.
  • Temos que agir juntos, agora.
  • Não podemos ser fundamentalistas, queremos criar um ambiente inclusivo e não exclusivo.
  • Crescimento infinito num sistema finito (como o planeta Terra) é impossível.
  • Demonstrámos grande ingenuidade e inteligência na corrida para a curva da energia nos últimos 150 anos. Não há razão para não utilizarmos essas qualidades, e mais, aplicá-las no nosso caminho das profundezas de volta ao sol e ao ar.
  • Se planearmos e agirmos com antecedência suficiente e utilizarmos a nossa criatividade e cooperação para desencadear o génio das nossas comunidades, nós podemos ter um futuro muito mais gratificante e enriquecedor, mais ligado à Terra e amigo desta, face à vida que temos hoje.
Anúncios

Site no WordPress.com.

%d bloggers like this: